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2.6 Dimensão

Dimensão:

Extensão mensurável simples. Algo que pode ser medido, por exemplo o comprimento, a largura ou a profundidade de um objeto.

Como vimos, o DESENHO é uma composição bidimensional constituída por linhas, pontos e formas. É o resultado obtido pelo desenhista ao lançar mão de um PROCESSO.

Vejamos o significado desses conceitos:

Composição:

É formada por um ou mais elementos/objetos, dispostos sobre um suporte (papel/mídia), de forma planejada e intencional pelo desenhista.

Bidimencional:

Que possui duas dimensões. Indica que os elementos da composição estão dispostos sobre um plano: Largura e altura. Esse plano é representado pela folha de papel(suporte ou mídia).

O universo é 3D - Compreendendo um mundo com três dimensões

Compreender as três dimensões é imprescindível para quem quer criar seus próprios desenhos. Isso significa que você deve compreender as três dimensões para desenhar eficientemente.

Zero dimensão

Para compreendermos vamos imaginar um mundo com 0(zero) dimensão. É apenas um ponto infinitamente pequeno, inexistente e imensurável, por isso se chama zero. Vamos citar apenas para termos um ponto de partida, a partir do qual nascerão todas as três dimensões.

Gosto de pensar que este é o ponto onde tudo começa; onde o lápis toca o papel.

Uma dimensão

Um mundo com uma dimensão é formado por infinitos pontos colocados lado a lado numa direção formando uma linha mensurável(quadro 1).

Uma dimensão tem, portanto, comprimento e podemos atribuir valores em qualquer unidade de medida. É um mundo “unidimensional”. Aqui só é possível ir para um lado ou para o outro, como um trem numa linha férrea.

É importante notar que não se trata de curva e sim, de uma linha reta, pois uma curva possui duas dimensões e se enquadra no exemplo a seguir.

​​​Duas dimensões

Mais evoluído, o mundo com duas dimensões já permite criar imagens, pois possui altura e largura. É formado por uma superfície plana. Pode ser medido como área. É bidimensional, assim como o papel no qual desenhamos. É possível o deslocamento em qualquer direção sobre esse plano, tal qual uma aranha andando sobre a mesa.

Apesar de ser bidimensional, é nesse plano que os desenhistas criam representações do mundo tridimensional. Talvez esse seja o maior paradigma para os artistas: Representar um mundo 3D num plano.

Três dimensões

Este é o mundo em que vivemos e que conhecemos tão bem. Todos os objetos existentes aqui podem ser medidos e percebidos em sua largura, altura e profundidade.

É o mundo mais complexo que a percepção humana pode alcançar através dos sentidos. É o mundo tridimensional.

Aqui é possível saltitar em qualquer direção, como um pássaro que voa pelo espaço.

Lembre-se: Qualquer desenho, que pretenda representar o mundo real, terá que representar suas três dimensões.

É com a delimitação do espaço que o artista cria os objetos - 0, 1, 2, 3 dimensões; dão formato ao espaço dentro e fora dos objetos.

Como um avião da esquadrilha da fumaça, o desenhista delimita cada dimensão do desenho. Assim é possível criar planos, prismas etc, para a confecção de qualquer desenho.

Perpendiculares

As três dimensões possuem uma característica muito importante, que ajuda a nos orientar no deslocamento pelo espaço. ELAS ESTÃO A 90º (NOVENTA GRAUS) umas em relação às outras, ou seja, são perpendiculares.

Como isso nos ajuda?

Ajuda porque depois que o desenhista cria a primeira dimensão, basta girar 90 graus para outra direção e saberá que está indo para os lados, para cima, para baixo, para trás ou para frente. Esse entendimento permite ao artista criar o desenho de qualquer objeto.

Fique atento, pois entender isso vai mudar a sua vida!

Orientação

Para se deslocar pelo espaço é necessário que você saiba onde está, para que possa saber para onde está indo. Esse é um princípio de orientação.

Ao conhecer as três dimensões e saber que são perpendiculares, fica fácil deslocar-se pelo espaço.

Como é possível saber onde estamos no espaço? É simples. Vamos comparar com o mundo real. Para sabermos onde estamos no planeta, necessitamos de pontos de referência. Por exemplo, para uma pessoa saber em que cidade está, precisa buscar lugares conhecidos como monumentos, parques, prédios, rodovias etc. Quando na cidade precisamos saber o endereço etc.

Desenhar é a mesma coisa, já que estamos nos deslocando no espaço, precisamos saber onde estamos para saber para onde ir. Compreender isso é indispensável para que o desenhista evolua e consiga construir qualquer objeto dentro da cena.

O mergulho na “Matrix” (Movendo-se pelo espaço)

É claro que quando traçamos linhas com um lápis sobre o papel estamos sempre deslocando esse lápis em duas dimensões, verticalmente ou horizontalmente porque estamos considerando a posição relativa às bordas do papel em si, que formam um plano. Mas para simularmos a terceira dimensão é preciso esquecer o papel e imaginarmos o espaço como algo tridimensional. É preciso mergulhar na “Matrix”. A percepção espacial que o desenhista precisa ter é o passo mais importante da nossa jornada, sem o qual jamais compreenderemos os desenhos.

Como isso é possível?

Vamos começar adotando outros pontos de referência. Vamos parar de adotar apenas o papel como referência e vamos adotar as relações do objeto como pontos de referência(Veja “Relações do objeto” no capítulo “Segredo 2 - Objeto”).

Como por exemplo no desenho abaixo, se eu vou do ponto A ao ponto B, em relação ao papel eu estou deslocando o lápis verticalmente, mas para o objeto(relação “Objeto->Objeto”) que estou desenhando, o lápis está indo no sentido da profundidade. Portanto, neste exemplo, foi importante adotarmos um referencial relativo ao objeto desenhado e não mais relativo ao plano do papel(Relação: “Objeto->Espaço”).